segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Os Cinco Sentidos

 

São belas - bem o sei, essas estrelas
Mil cores - divinais têm essas flores;
Mas eu não tenho amor, olho para elas;
  Em toda a natureza
  Não vejo outra beleza
  Senão a ti - a ti!

Divina - ai! sim, será a voz que afina
Saudosa - na ramagem densa, umbrosa.
Será; mas eu do rouxinol que trina
  Não oiço a melodia,
  Nem sinto outra harmonia
  Senão a ti - a ti!

Respira - n'aura que entre as flores gira,
Celeste - incenso de perfume agreste.
Sei... não sinto: minha alma não aspira,
  Não percebe, não toma
  Senão o doce aroma
  Que vem de ti - de ti!

Formosos - são os pomos saborosos,
É um mimo - de néctar o racimo:
E eu tenho fome e sede... sequiosos,
  Famintos meus desejos
  Estão... mas é de beijos, 
  E só de ti - de ti!

Macia - deve a relva luzidia
Do leito - se por certo em que me deito;
Mas quem, ao pé de ti, quem poderia
  Sentir outras carícias,
  Tocar noutras delícias
  Senão em ti - em ti!

A ti! ai, a ti só os meus sentidos
Todos num confundidos,
Sentem, ouvem, respiram;
Em ti, por ti deliram.
Em ti a minha sorte,
A minha vida em ti;
E quando venha a morte,
Será morrer por ti.

Almeida Garrett in Folhas Caídas

Genial!

domingo, 28 de setembro de 2008

Bela aventura..

Então, tudo começou numa quarta-feira, em que a Sara me disse que precisavam do meu número. O que é que eu pensei? "Quem é que me quer bater?"

Mas não, nada disso. Acabaram por me ligar e do outro lado "Olá Joana, boa noite, qual é a tua disponibilidade para amanhã?" E a minha disponibilidade era total. "Então e estavas disposta a alinhar nesta aventura? Sábado ires cantar com a banda." A minha veia de artista precipita-se e diz "Claro!"
Bem, no dia a seguir, lá fui, ter com a banda, ao nosso local de ensaio. A minha voz perra, as letras completamente esquecidas e erros, insegurança e paciência não faltaram. Mas pronto. Terminado o ensaio de Quinta-Feira, ficámos de ensaiar Sábado, como último ensaio, seguido do sound check. Lá ensaiámos e desta vez já havia mais à-vontade e um bocadinho mais das músicas sabidas. Chegadas aí as cinco horas, lá começámos a desmontar o material. Chegámos ao bar, montámos o material de novo, checkou-se uma música ou outra e bora comer. Já no McDonald, o sítio de eleição para jantar, mesmo para aproveitar as promoções daquele livrinho pequenino, pedi ao rapazinho que lá estava para me trocar o ketchup pela maionaise. Eis a resposta "Tem de dar mais 0,15€" e eu, claro "Então não dou?". É daquelas coisas que dá vontade de pedir o livrinho de reclamações. Estúpido!

Já com mais calorias no estômago, lá fomos vestir, despachar. Em casa do Tiago, conheci a tia dele, uma velhota que ficou super encantada. Depois de me maquilhar, claro, reparei que pusera mais blush de um lado da cara que de outro... Mas whatever. Lá voltámos ao bar, e claro, tem de começar a chover. Eu de saltos altos, a fugir da chuva para não encaracolar o raio da franja (mas que raio de ideia tive eu ao cortar isto assim...) e me tornar uma espécie de caniche... Só filmado mesmo. Mas pronto...

22h.30, 22h.45, 22h.55.. Até que começa a ouvir-se a minha voz. E foi óptimo... Adoro mesmo actuar. É o que gosto de fazer. Entreter, contactar com o público. E surpreender-me a mim mesma, mesmo que pela negativa, ao pensar "Bela m**** de actuação."

Mas é com a prática que se aprende, e bem ou mal, diverti-me, contactei com gente muito porreira, recebi elogios, propostas, e, vá lá, fiz algo diferente.

Obrigado a todos. :)

sábado, 20 de setembro de 2008

Já (re)começa...

Estou há aproximadamente dez minutos numa das minhas disciplinas favoritas: Filosofia. (Obviamente estou a ser irónica.)

E leva ali, a falar, a falar, a falar e esta aula, é uma das únicas situações em que não apanho nada do que se está a falar, o que, por vezes, mesmo sem tentar estar atenta até acaba por acontecer.

Tenho pensado imenso em partir, quebrar a rotina, conhecer mais malta nova, mais coisas novas, e, sobretudo, penso no momento em que vou puder ter a Minha Casa, sem ninguém que me faça dar justificações seja lá pelo que for.

Já sopro por todos os lados. Se não escrevo deixo-me dormir!

Mas que Verão... Podia contar todos os episódios e peripécias que certamente haveria algo que me escaparia. Tenho saudades de todos os sorrisos. De tudo e de todos. E depois penso:

Não pertenço aqui. Não me sinto eu, não tenho liberdade para tal. Não preciso que me compreendam, basta que confiem em mim e tentem perceber que não sou, de todo, uma criança. Orgulho-me de desde sempre, até hoje, ter feito coisas que sujeitos de 20 ou mais anos nunca fizeram.

Preciso apenas de um voto de confiança e de sair desta aula. Assim já ficava feliz.

 

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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

E deito-me...

Deito-me na cama, barriga para baixo, como sempre. Com o braço de baixo da almofada fecho os olhos. As pálpebras cerradas, corpo morto da vida... E vou esvaziando o pensamento de todas as cores do mundo e concentro-me na tonalidade abstracta do meu cansaço. Respiro, lentamente... Abro e fecho os olhos, quase como que em câmara lenta, em movimentos melancólicos. Cada vez os vou piscando mais lentamente, até que  estes se fecham até ao meu acordar, definitivamente, e eu caio na dimensão do sossego, já tão ansiado e pedido pelas noites mal dormidas. E morro.

Amanhã, acordo, e volto a recriar o meu mundo, com todas as tintas e forças que terei, já desperta...

 

somewere55

N e P :

Não costumo mesmo gostar de pessoas tipo vocês. Malta de Cascais, cuja pronúncia é anasalada, que se cumprimenta apenas com um beijo na bochecha e não com dois, como estou habituada. Daqueles meninos cujos papás os tomam por santinhos, quando na realidade se demonstram verdadeiros diabos. Ou daquelas (in)felizes criaturas que ,por viverem numa mansão com 30 empregados, com uma garagem recheada de carros de alta cilindrada, cada um com o seu motorista para o transporte aos eventos mais in, se crêem donas do mundo.

Não costumo gostar mesmo nada de cabeludos com pulseiras VIP de todos os eventos sociais e mais algum, que com a intenção de se gabar dos eventos frequentados naquele ano conservam as pulseiras dos festivais, das discotecas, etc...

Mas vocês certamente estão deslocados. Conhecendo-vos, sabendo o que sei sobre vós e até sabendo que possuem algo que tenha mencionado, só sei que passei momentos convosco que sei que não vou nem quero passar com mais ninguém.

Tardes na piscina, SG Mentol (tabaco de tia de Cascais...), o suposto Sasha Summer Sessions, banhos na piscina às 4 da manhã, vodka Iced Tea, batatas com maionese, dormidas no puff, compras em Portimão, ovas de porco, jantares com os "tios", caipirinhas em Alvor, shots de meio copo de whiskey, noites na caravela...

Pequenos almoços de combate, choro na despedida, promessas que prometo cumprir...

Mas acima de tudo, seres humanos mágicos, humildes, simples, trabalhadores... Adoráveis!

Dois corações de ouro que me transmitiram a sensação de família, de utilidade, de união, de dedicação e de pureza de espírito!

Nem preciso repetir que este Verão foi só uma amostra do futuro.

Mais e mais noites virão. Estejamos nós ancorados no Rio Arade ou estafados no puff...

Graças a ti P e a ti N, conheci muitos sentimentos e emoções novas. A verdadeira família que conheceram há-de estar cá para vos suportar até ao mais ínfimo desejo.

Saudades e até já FAMÍLIA!