domingo, 23 de novembro de 2008

E assim nos perdemos.

 

Basta me olhares. Baste me olhares para todas as definições do meu Eu se modificarem.

E quando me tocas?

Transfiguro-me! Torno-me no fogo mais quente que alguma vez sentirás, na brasa mais incadescente do teu Inferno. Sou a tua salvação através do pecado, guio-te para a inevitável perdição.

Sim!

Encaminho-te,  (ou desencaminho, até) para o precipício que é a minha boca. Pela estrada das minhas mãos, do meu corpo, do meu toque! Do meu ser... E ser Eu é ser Tu, às tantas. Pelo reboliço descontrolado das chamas que nos consomem já nem distingo o Céu do Inferno. Porque afinal de contas... Tornámo-nos matéria una. Pelas leis da Física. Pelas leis da Química. Pelas leis da Humanidade. Pelas leis do Destino, pelas nossas leis que nem sequer sei se existem!

Tudo é esta absurda anarquia que nos devora, que nos torna marginais, sedentos de liberdade, de calor, de Tudo. E de Nada.

Mas a minha exigência não perdoa.

E eu quero-te mais que isso.

 

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