domingo, 5 de dezembro de 2010

nocte noctem dies

Mais uma noite em que não dormi. Os dias confundem-se com a noite e com dias. Perdi já a concepção de tempo que me costumava guiar.

Foi uma boa ideia, esta de vir até ai Tejo, ver e sentir o sol a espreitar por entre as nuvens. A água que encalha na rampa, barcos barulhentos para lá e para cá que fazem a espuma levitar e deixar um rasto nublado.

A ponte, vermelha, que envolve esta cidade numa bolha, que a torna distante de tudo o resto. A imagem do Cristo Redentor, que curiosamente está virado para mim, de braços abertos. Ou então não, os seus braços destinam-se apenas a abraçar o ar. Ainda bem que a imensidão do Tejo se assemelha ao meu mar e ainda bem que o sol ainda é de todos.

Há mil anos que me apetecia fazer isto, apanhar o metro e espetar-me em frente a água e escrever merdas, mesmo que sem sentido algum. Apeteceu-me escrever e estar comigo.

Nunca me tinha apercebido do quanto gosto de sentir o calor e a luz do sol.

A renúncia ao candeeiro seria mais frequente existissem mais alternativas à sua luz, gosto de fazer a fotossíntese.

- Questiono-me acerca da distância que separa a margem norte da margem sul do Tejo. Deste ângulo quase poderia afirmar que Marrocos é já ali.

Gosto particularmente das tonalidades de azul que se distinguem entre o Tejo e o céu. A neblina que concede o mistério à cidade mantém-se.

Só não posso é voltar-me para trás. Aí tudo se desmistificaria e eu cairia na realidade novamente. Prefiro manter-me na esperança de que para além do que vejo não reste mais nada.

 

11112010_007

11.11.10

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