segunda-feira, 22 de agosto de 2011

360º

Aqui os dias são todos iguais. A vontade já não existe, nem o sol que brilha me anima. Pelo contrário, o céu embrulhado é o ideal. Casa fechada, vazia, cortinas fechadas, escuro, silêncio. Não há cheiro, não há barulho. Só ruído de quando em vez, e propositadamente imperceptível.
É Verão. Não praia, não rua, não preocupações com o cabelo ou com nada. Não.
Estás longe. A tua ausência é a pior coisa a que alguma vez já estive exposta. Felizmente, ainda fazes o meu telefone tocar de vez em quando. Se não fosse a tua t-shirt amarela com o teu cheiro o meu placebo para iludir as minhas saudades tuas… Acho que já nada seria real ou palpável.
Sou um arbusto.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

I do not love you as if you were salt-rose or topaz,
or the arrow of carnations the fire shoots off.
I love you as certain things are to be loved,
in secret, between the shadow and the soul.
I love you as the plant that never blooms,
but carries in itself the light of hidden flowers.
Thanks to your love a certain fragrance,
risen darkly from the earth, lives darkly in my body.
I love you without knowing how, or when, or from where,
I love you straightforwardly, without complexities or pride,
so I love you because I know no other way than this:
where "I" does not exist, nor "you,"
So close that your hand on my chest is my hand,
So close that your eyes close and I fall asleep.

-Pablo Neruda

terça-feira, 3 de maio de 2011

sábado, 9 de abril de 2011

2 + 4 = 99

 

O que é não vai deixar de ser. Prometamos.

O que cá vai dentro, de tão forte que é, não me deixa respirar. O oxigénio transforma-se em lágrimas alegres que me escorrem pela face. Todas as palavras ditas nas noites que nunca existiram no conceito de realidade permanecem intactas no meu respirar.

Continuarei sem ar enquanto sempre. 

Blocos.

quarta-feira, 9 de março de 2011

9 de Março de 2010

Este podia ser um dia (e um post todo) bonito, tendo em conta que é o dia que é. Mas não.

Resumo do meu dia. 8.15h acordo, 8.20h abro a torneira para tomar banho e não há água. OK. Fui tomar o pequeno-almoço. 2 horas depois, a água voltou e lá tomei o meu banho. Boa. Saí de casa, fui até ao Bangladesh (Loja do Cidadão nos Restauradores) e das 11.19 até às 14.30h fiquei lá sentadinha à espera,a desmaiar de fome. Muito bom.

Seguinte: CGD dos Restauradores - que afinal não abre contas universitárias. OK, 15.30, chego à CGD da Reitoria da UL, (já a ver tudo à roda) e chego à conclusão que preciso de 100€ para abrir a conta e ainda passo uma vergonha porque não tinha esse dinheiro. Rapidamente, e ponto último, dirijo-me à Secretaria da FLUL: Adoro ter descoberto que paguei 8€ por um documento que não precisava. É sempre bom saber que temos pessoal competente nos serviços.

Única coisa gira de hoje: Cheguei a casa (já totalmente sem sentidos) e o Iuri tinha um quiche feito. Ainda bem que há dias assim. (not)

segunda-feira, 7 de março de 2011

“Tens umas mãos tão bonitas…”

 

Agora, nada existe.

Tocas-me e eu desmaterializo-me. Misturo-me com atmosfera do nosso planeta, iluminado apenas pela luz fraca do candeeiro das riscas.

Tornamo-nos sombras que se movem ao som do tempo parado e espantam as paredes com uma pintura secreta e efémera.

Não vejo nada. Só te sinto.

domingo, 9 de janeiro de 2011

tictac

Que continues a ser a paz no meu sorriso e no meu peito. Agarra-me com força e não me deixes até a luz da manhã chegar e invadir as paredes sujas do mundo. Ou então, não me largues simplesmente. Ficamos aqui os dois quietos de pés enroscados, feitos Senhores do Mole, com a barriga a dar horas até almoçarmos, à hora que quisermos.

- Bom dia, Relógio Desregulado.

Somos dois ponteiros malucos, (des)alinhados com um fuso horário inexistente.