sábado, 11 de fevereiro de 2017

Ashes, I am

O céu é cinza. Cinza é o que sinto por dentro e o que sou por fora. Cor da solidão, que o meu tacto sabe de cor. A partida apresentou-nos e desde aí tornámo-nos uma coisa só. Coisa feia, desregrada, sem princípio nem fim, sem ritmo nem batida. Como nós dois fomos um dia - seres sem alma, seres sem corpo, seres sem voz. A voz calou-se há muito tempo, eras tu a criança que nunca deixaste de ser, sem motivos para crescer, como a semente que germinámos. A luz do sol não lhe chegou, nem a terra, nem a água.
Para quê crescer se o sol não vai brilhar nunca mais? A saída é ali, o que e fácil está sempre mais a jeito.

- O que é fácil aos fracos se destina, dizia alguém quando o tecto do mundo ainda era de todas as cores. O que é fácil não traz recompensa feliz. No fundo somos todos caçadores de tesouros. O que nos dá alento se não o que a vida deixa escapar sem perceber e o que tenta recuperar aflitivamente?

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