terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Navegando…

“Encontrava-me eu no meu barco, a caminho do mar, na foz do rio, mesmo a irromper mar adentro… Quando sinto vento. Um vento quente, um vento que transtorna e abafa mas que não me era de todo desconhecido.

À minha frente adivinhava-se um mar ondulante e desafiador, repleto de correntes que provocam curiosidade a qualquer marinheiro da vida. Mas o vento abrasador faz-se sentir, impõe-se, envolve-me, persuade-me e, parcialmente faz mudar a minha rota. Os meus pensamentos regrediram, deixei-me levar por eles. A brisa que se fazia sentir, era de tal ordem aconchegante, confortável e até momentaneamente tão segura, que eu, marinheira de sonhos, não resisti e ancorei em plena foz. Ancorei exactamente num imaginário abismo, num desejável dilema. Digo desejável dilema porque no fundo sabia o meu desejo. O meu coração de aventureira palpitava e atirava-me para a emoção. E se dou a entender que a emoção era a descoberta do alto mar… Engano.

A emoção de sentir o toque daquela rara brisa a passar por mim era maior, mais poderosa. A adrenalina de me deixar tentar pelo conforto aparente da brisa quente supera a minha vontade de navegar num mar desconhecido que atrai, um mar brilhante, onde, no entanto, onde o medo e a insegurança prevalecem.

E assim o faço. Deixo-me levar por supostas indecisões que estão mais que resolutas no meu mapa. Mas a brisa não é concreta, é rara e discreta, só eu a sinto. Até me pergunto se ela me sente como eu a ela. E, por inconsciente mas conscientemente saber a resposta, quero que ela me sinta com o mesmo impacto arrepiante com o qual sei que não sente e ma deixe prender e tê-la só para mim sem receios! E, por mais uma vez saber que para um elemento da natureza, dimensão e grandeza aparentes do vento não se deixar amainar ou cativar por um ser mortal como eu, desejo e grito àquele ar quente e agradavelmente sufocante que não procure mais as velas do meu barco, que sopre o seu maldito feitiço para outras bandas. E o vento transtornador ouve-me! Mas obedece tão bem às minhas mais secretas vontades que volta e acaba sempre por me fazer ancorar para o gozar e me fazer sentir parte dele.

E o mar alto, salgado, desconhecido mantém-se. Olho-o mas não me sinto com forças para sair dum amparo tão leve e tão familiar.”

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(A escassos dias do fim de 2008…)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Rascunho 1

"Acho que me sinto inspirada. Digo acho porque não tenho a certeza se esta estranha inspiração não será fruto da bezana que carrego. Sinto-me leve, pela sheeshah que fumei. Quero estar contigo mas não sei se quero. Quero ouvir a tua respiração mas não sei se devo. Ao mesmo tempo mantém-se esta estúpida indecisão entre dois extremos totalmente diferentes e não sei se fico se vou. Se quero ou se não ambiciono. O que sei é que realmente nem sei nada.
Quero ter vontade para não ter medo e ganhar coragem e pensar no que realmente ambiciono da minha vida. Quero sair daqui.. Mas ainda me falta muito tempo."

22.12.2008

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Vantagens.

Recebi mesmo ontem esta coisa que permanece nas minhas pernas, enquanto estou confortavelmente deitadinha na minha cama. Mas que sensação espectacular de preguiça. Nem apetece mexer-me.

Tenho o mundo aqui no meu colo. Se me apetecer posso chatear todos os meus contactos do MSN e estar deitada. Posso marcar a senha para amanhã e estar deitada. Posso mandar mail's, comentários e coisas parvas e... Estar deitada.

Posso estar a lamentar-me da nega que vou ter no teste de Filosofia que vou ter amanhã, posso pensar nas 30 mil coisas que tenho a fazer para esta semana, mas, ao mesmo tempo, estar deitada!

Posso estar deitada e pensar o quão bom é poder estar assim, deitada.

Ou posso calar-me e deixar de ser parva com esta conversa de lontra... E continuar deitada.

domingo, 23 de novembro de 2008

E assim nos perdemos.

 

Basta me olhares. Baste me olhares para todas as definições do meu Eu se modificarem.

E quando me tocas?

Transfiguro-me! Torno-me no fogo mais quente que alguma vez sentirás, na brasa mais incadescente do teu Inferno. Sou a tua salvação através do pecado, guio-te para a inevitável perdição.

Sim!

Encaminho-te,  (ou desencaminho, até) para o precipício que é a minha boca. Pela estrada das minhas mãos, do meu corpo, do meu toque! Do meu ser... E ser Eu é ser Tu, às tantas. Pelo reboliço descontrolado das chamas que nos consomem já nem distingo o Céu do Inferno. Porque afinal de contas... Tornámo-nos matéria una. Pelas leis da Física. Pelas leis da Química. Pelas leis da Humanidade. Pelas leis do Destino, pelas nossas leis que nem sequer sei se existem!

Tudo é esta absurda anarquia que nos devora, que nos torna marginais, sedentos de liberdade, de calor, de Tudo. E de Nada.

Mas a minha exigência não perdoa.

E eu quero-te mais que isso.

 

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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Keep It!

 

 

 

 

"I just want to feel your touch in me, your lips in my soul, your sweating on my body... I want you to be my real dream and my passion in heaven, my sweet sin! I love and I miss you..."

 

Joana Albino 

 

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Os Cinco Sentidos

 

São belas - bem o sei, essas estrelas
Mil cores - divinais têm essas flores;
Mas eu não tenho amor, olho para elas;
  Em toda a natureza
  Não vejo outra beleza
  Senão a ti - a ti!

Divina - ai! sim, será a voz que afina
Saudosa - na ramagem densa, umbrosa.
Será; mas eu do rouxinol que trina
  Não oiço a melodia,
  Nem sinto outra harmonia
  Senão a ti - a ti!

Respira - n'aura que entre as flores gira,
Celeste - incenso de perfume agreste.
Sei... não sinto: minha alma não aspira,
  Não percebe, não toma
  Senão o doce aroma
  Que vem de ti - de ti!

Formosos - são os pomos saborosos,
É um mimo - de néctar o racimo:
E eu tenho fome e sede... sequiosos,
  Famintos meus desejos
  Estão... mas é de beijos, 
  E só de ti - de ti!

Macia - deve a relva luzidia
Do leito - se por certo em que me deito;
Mas quem, ao pé de ti, quem poderia
  Sentir outras carícias,
  Tocar noutras delícias
  Senão em ti - em ti!

A ti! ai, a ti só os meus sentidos
Todos num confundidos,
Sentem, ouvem, respiram;
Em ti, por ti deliram.
Em ti a minha sorte,
A minha vida em ti;
E quando venha a morte,
Será morrer por ti.

Almeida Garrett in Folhas Caídas

Genial!

domingo, 28 de setembro de 2008

Bela aventura..

Então, tudo começou numa quarta-feira, em que a Sara me disse que precisavam do meu número. O que é que eu pensei? "Quem é que me quer bater?"

Mas não, nada disso. Acabaram por me ligar e do outro lado "Olá Joana, boa noite, qual é a tua disponibilidade para amanhã?" E a minha disponibilidade era total. "Então e estavas disposta a alinhar nesta aventura? Sábado ires cantar com a banda." A minha veia de artista precipita-se e diz "Claro!"
Bem, no dia a seguir, lá fui, ter com a banda, ao nosso local de ensaio. A minha voz perra, as letras completamente esquecidas e erros, insegurança e paciência não faltaram. Mas pronto. Terminado o ensaio de Quinta-Feira, ficámos de ensaiar Sábado, como último ensaio, seguido do sound check. Lá ensaiámos e desta vez já havia mais à-vontade e um bocadinho mais das músicas sabidas. Chegadas aí as cinco horas, lá começámos a desmontar o material. Chegámos ao bar, montámos o material de novo, checkou-se uma música ou outra e bora comer. Já no McDonald, o sítio de eleição para jantar, mesmo para aproveitar as promoções daquele livrinho pequenino, pedi ao rapazinho que lá estava para me trocar o ketchup pela maionaise. Eis a resposta "Tem de dar mais 0,15€" e eu, claro "Então não dou?". É daquelas coisas que dá vontade de pedir o livrinho de reclamações. Estúpido!

Já com mais calorias no estômago, lá fomos vestir, despachar. Em casa do Tiago, conheci a tia dele, uma velhota que ficou super encantada. Depois de me maquilhar, claro, reparei que pusera mais blush de um lado da cara que de outro... Mas whatever. Lá voltámos ao bar, e claro, tem de começar a chover. Eu de saltos altos, a fugir da chuva para não encaracolar o raio da franja (mas que raio de ideia tive eu ao cortar isto assim...) e me tornar uma espécie de caniche... Só filmado mesmo. Mas pronto...

22h.30, 22h.45, 22h.55.. Até que começa a ouvir-se a minha voz. E foi óptimo... Adoro mesmo actuar. É o que gosto de fazer. Entreter, contactar com o público. E surpreender-me a mim mesma, mesmo que pela negativa, ao pensar "Bela m**** de actuação."

Mas é com a prática que se aprende, e bem ou mal, diverti-me, contactei com gente muito porreira, recebi elogios, propostas, e, vá lá, fiz algo diferente.

Obrigado a todos. :)