quarta-feira, 7 de agosto de 2013

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Letras de fumo tendem a aparecer quando existe música num cigarro.

a música propaga-se e deixa perfume.

sabes que é a verdade:

Todos parecem olhar-te.

- Eles olham, só não te vêem.

Não vêem porque há coisas que não se deixam ver.

- Palavras, há muito que não se deixavam ver também

(long time no see)

preenchidas com cor de fumo que assentou numa folha

outrora branca.

E lêem-se.

 

Lua

A luz que estava,

A música que tinhas,

Nua, com consciência

De que um dia tudo acaba.”

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Frio


A porta já não range nem há passos no corredor,
naquele chão já não.
A caneca amarela não fumega mais.
O chá já está frio, arrefeceu
A janela branca ficou aberta
mas a chuva não entra.
Ficou lá fora,
não quis estragar as tábuas
(que a água apodrece o soalho).

A chuva espera,
a chuva não se cansa.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Troncos


As folhas da minha copa esvoaçam. Afastam-se dos meus ramos, como se puxadas por cordas de fumo invisível. Não se vêem. Só se sente o levíssimo peso a deixar os meus braços de madeira, imóveis. E os meus pés que continuam raízes, colados a este chão que não respira nem engole o tempo que este vento empurra e protege como se fosse seu.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

360º

Aqui os dias são todos iguais. A vontade já não existe, nem o sol que brilha me anima. Pelo contrário, o céu embrulhado é o ideal. Casa fechada, vazia, cortinas fechadas, escuro, silêncio. Não há cheiro, não há barulho. Só ruído de quando em vez, e propositadamente imperceptível.
É Verão. Não praia, não rua, não preocupações com o cabelo ou com nada. Não.
Estás longe. A tua ausência é a pior coisa a que alguma vez já estive exposta. Felizmente, ainda fazes o meu telefone tocar de vez em quando. Se não fosse a tua t-shirt amarela com o teu cheiro o meu placebo para iludir as minhas saudades tuas… Acho que já nada seria real ou palpável.
Sou um arbusto.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

I do not love you as if you were salt-rose or topaz,
or the arrow of carnations the fire shoots off.
I love you as certain things are to be loved,
in secret, between the shadow and the soul.
I love you as the plant that never blooms,
but carries in itself the light of hidden flowers.
Thanks to your love a certain fragrance,
risen darkly from the earth, lives darkly in my body.
I love you without knowing how, or when, or from where,
I love you straightforwardly, without complexities or pride,
so I love you because I know no other way than this:
where "I" does not exist, nor "you,"
So close that your hand on my chest is my hand,
So close that your eyes close and I fall asleep.

-Pablo Neruda

terça-feira, 3 de maio de 2011

sábado, 9 de abril de 2011

2 + 4 = 99

 

O que é não vai deixar de ser. Prometamos.

O que cá vai dentro, de tão forte que é, não me deixa respirar. O oxigénio transforma-se em lágrimas alegres que me escorrem pela face. Todas as palavras ditas nas noites que nunca existiram no conceito de realidade permanecem intactas no meu respirar.

Continuarei sem ar enquanto sempre. 

Blocos.