“O destino, o vento e o sol construíram uma cama de flores roxas e amarelas, macias como sedas das mais finas. O sol criou a temperatura perfeita e as suas mão fizeram o resto. As alergias primaveris cessaram naquele momento.
Ali, dois corpos agitando-se num mundo horizontal, limitado por plantas esvoaçantes, borboletas e um tronco de uma oliveira, faziam-se felizes ao mesmo tempo que se prometiam um ao outro, olhos nos olhos, beijos nos lábios
olhos no sol, beijos nos sol
olhos no céu, beijos no céu,
e olhos que já não olhavam, só beijos que beijavam
Ali, depois, uma alma em dois corpos, deitada no silêncio do calor.
Cabelo e pedaços de flores e terra e folhas e os corpos perfeitamente sintonizados com a terra que parecia fluir debaixo das suas costas nuas e quentes.
Palavras, abraços e gestos amarelos, roxos e verdes por toda a atmosfera que era exclusiva, nem a água a merecia sentir naquele instante porque existiram dois seres que conseguiram superar a essência elementar da ribeira que corria por lá.”
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