Caminho descalça. Gosto de caminhar descalça e sentir tudo o que piso. “Quero sentir tudo de todas as maneiras”. Fecho os olhos, sigo, nem sei para onde. Pé, pé, pé, caminhando, pé ante pé. Piso e sinto pedrinhas pequeninas. Eu não me importo. Não me fazem mal algum. Os calhaus, os obstáculos maiores no meu caminho, eu respeito. Observo. Admiro. Respeito.
Rodeio-os.
E continuo o meu caminho, tenho os pés sujos, mas não me importo. Gosto de caminhar, já disse. Para além das pedrinhas, têm, claro, de haver ervas macias, que me confortam e aliviam da dureza da minha estrada. Onde existe o menos bom, existe sempre o bom.
Gosto de senti-las. Suaves e carinhosas, obrigada coisinhas verdes e árvores gigantescas que me despertam os sentidos sempre que se atravessam no meu caminho.
Hei-de continuar a percorrer, sem sapatos, pés despidos, a estradinha que me há-de levar onde nem eu sei… E nem quero saber.
[Jose Gonzalez – Sensing Owls]
1 comentário:
Este texto está muito bom mesmo. O titulo cativou-me de imediato e tive de ler. Mais uma vez a mensagem subentendida é fantástica. Realmente, sentir o mundo descalço é a melhor maneira de o sentir... de outra maneira, talvez, esse mundo seria mentira. Parabéns Joana. :D
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