quarta-feira, 9 de março de 2011

9 de Março de 2010

Este podia ser um dia (e um post todo) bonito, tendo em conta que é o dia que é. Mas não.

Resumo do meu dia. 8.15h acordo, 8.20h abro a torneira para tomar banho e não há água. OK. Fui tomar o pequeno-almoço. 2 horas depois, a água voltou e lá tomei o meu banho. Boa. Saí de casa, fui até ao Bangladesh (Loja do Cidadão nos Restauradores) e das 11.19 até às 14.30h fiquei lá sentadinha à espera,a desmaiar de fome. Muito bom.

Seguinte: CGD dos Restauradores - que afinal não abre contas universitárias. OK, 15.30, chego à CGD da Reitoria da UL, (já a ver tudo à roda) e chego à conclusão que preciso de 100€ para abrir a conta e ainda passo uma vergonha porque não tinha esse dinheiro. Rapidamente, e ponto último, dirijo-me à Secretaria da FLUL: Adoro ter descoberto que paguei 8€ por um documento que não precisava. É sempre bom saber que temos pessoal competente nos serviços.

Única coisa gira de hoje: Cheguei a casa (já totalmente sem sentidos) e o Iuri tinha um quiche feito. Ainda bem que há dias assim. (not)

segunda-feira, 7 de março de 2011

“Tens umas mãos tão bonitas…”

 

Agora, nada existe.

Tocas-me e eu desmaterializo-me. Misturo-me com atmosfera do nosso planeta, iluminado apenas pela luz fraca do candeeiro das riscas.

Tornamo-nos sombras que se movem ao som do tempo parado e espantam as paredes com uma pintura secreta e efémera.

Não vejo nada. Só te sinto.

domingo, 9 de janeiro de 2011

tictac

Que continues a ser a paz no meu sorriso e no meu peito. Agarra-me com força e não me deixes até a luz da manhã chegar e invadir as paredes sujas do mundo. Ou então, não me largues simplesmente. Ficamos aqui os dois quietos de pés enroscados, feitos Senhores do Mole, com a barriga a dar horas até almoçarmos, à hora que quisermos.

- Bom dia, Relógio Desregulado.

Somos dois ponteiros malucos, (des)alinhados com um fuso horário inexistente.

domingo, 5 de dezembro de 2010

nocte noctem dies

Mais uma noite em que não dormi. Os dias confundem-se com a noite e com dias. Perdi já a concepção de tempo que me costumava guiar.

Foi uma boa ideia, esta de vir até ai Tejo, ver e sentir o sol a espreitar por entre as nuvens. A água que encalha na rampa, barcos barulhentos para lá e para cá que fazem a espuma levitar e deixar um rasto nublado.

A ponte, vermelha, que envolve esta cidade numa bolha, que a torna distante de tudo o resto. A imagem do Cristo Redentor, que curiosamente está virado para mim, de braços abertos. Ou então não, os seus braços destinam-se apenas a abraçar o ar. Ainda bem que a imensidão do Tejo se assemelha ao meu mar e ainda bem que o sol ainda é de todos.

Há mil anos que me apetecia fazer isto, apanhar o metro e espetar-me em frente a água e escrever merdas, mesmo que sem sentido algum. Apeteceu-me escrever e estar comigo.

Nunca me tinha apercebido do quanto gosto de sentir o calor e a luz do sol.

A renúncia ao candeeiro seria mais frequente existissem mais alternativas à sua luz, gosto de fazer a fotossíntese.

- Questiono-me acerca da distância que separa a margem norte da margem sul do Tejo. Deste ângulo quase poderia afirmar que Marrocos é já ali.

Gosto particularmente das tonalidades de azul que se distinguem entre o Tejo e o céu. A neblina que concede o mistério à cidade mantém-se.

Só não posso é voltar-me para trás. Aí tudo se desmistificaria e eu cairia na realidade novamente. Prefiro manter-me na esperança de que para além do que vejo não reste mais nada.

 

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11.11.10

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Uma noite…

Uma noite levanto-me a meio da noite e vou ter contigo onde quer que estejas. Hoje não é definitivamente a noite porque está frio.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

07:23

Caminho descalça. Gosto de caminhar descalça e sentir tudo o que piso. “Quero sentir tudo de todas as maneiras”. Fecho os olhos, sigo, nem sei para onde. Pé, pé, pé, caminhando, pé ante pé. Piso e sinto pedrinhas pequeninas. Eu não me importo. Não me fazem mal algum. Os calhaus, os obstáculos maiores no meu caminho, eu respeito. Observo. Admiro. Respeito.

     Rodeio-os.

E continuo o meu caminho, tenho os pés sujos, mas não me importo. Gosto de caminhar, já disse. Para além das pedrinhas, têm, claro, de haver ervas macias, que me confortam e aliviam da dureza da minha estrada. Onde existe o menos bom, existe sempre o bom.

Gosto de senti-las. Suaves e carinhosas, obrigada coisinhas verdes e árvores gigantescas que me despertam os sentidos sempre que se atravessam no meu caminho.

Hei-de continuar a percorrer, sem sapatos, pés despidos, a estradinha que me há-de levar onde nem eu sei… E nem quero saber.

 

[Jose Gonzalez – Sensing Owls]